20 de setembro de 2012

Aqueles que «querem, podem, mas não mandam» têm o primeiro programa transmitido em direto às 23 horas.
O programa Governo Sombra, que durante quatro anos foi exclusivo da rádio, chega à televisão através da TVI24. João Miguel Tavares, Ricardo Araújo Pereira e Pedro Mexia prometem manter o mesmo estilo de conversa informal, sempre moderados por Carlos Vaz Marques.
O anúncio oficial aconteceu num restaurante da baixa lisboeta, num evento íntimo e divertido. Os quatro protagonistas do Governo Sombra esperam que o formato não se altere e até pediram uma mesa pequena para que o ambiente continue «privado». «Se me perguntam se eu soube?

Claro que soube. Se me perguntam se eu tive uma opinião diferente. Tive uma opinião diferente. Se me perguntam se eu alertei. Alertei. Se me perguntam se eu defendi que havia outros caminhos. Defendi. Se me perguntam se eu bloqueei a decisão. Não bloqueei», foi com palavras semelhantes às de Paulo Portas sobre a TSU que Carlos Vaz Marques abordou a transferência do formato para a TV. «Agora vamos ter o dobro da produtividade com o mesmo trabalho. Isto devia servir de exemplo para o Governo», disse Ricardo Araújo Pereira. Tudo sem nunca cair no formato comercial, prometem.

O assédio ao programa por parte de canais de televisão não é novo, mas tudo acabou por acontecer numa altura em que a situação política do país justifica outro estilo de comentário. «Continuem a dizer as verdades» é um dos pedidos mais frequentes que Pedro Mexia recebe por parte do público. A ideia de que vozes associadas a caras traz mais responsabilidades foi outro dos conceitos repetidos durante o anúncio oficial da parceria entre a TVI e a TSF. «Eu sou o único que ando de Metro e qualquer dia apareço com um pedaço de novilho no olho», comentou João Tavares.

Os «ministros sombra» distanciaram-se do papel de políticos e humoristas e garantem que o humor aparece naturalmente, sem nunca haver piadas forçadas. Para Paulo Baldaia, diretor da estação radiofónica, «são os ouvintes da TSF quem ficam a ganhar por a TVI ter insistido em levar o Governo Sombra até à televisão». Os ouvintes serão brindados com uma maior duração do programa, que será alargado até aos 45 minutos. A chegada à televisão é vista como um passo natural na evolução do conceito.

Quanto às comparações com outros programas da concorrência, José Alberto Carvalho, diretor de informação da TVI, foi claro: «É um programa único, inteligente, com sátira e não é comparável».

Esta acabou por ser uma das razões que motivou o interesse da estação de Queluz de Baixo. Durante o protocolo oficial, os comentadores João Miguel Tavares, Ricardo Araújo Pereira e Pedro Mexia foram «brincando» com algumas situações políticas recentes, como a «constipação» com que Paulo Portas se dirigiu ao país no domingo ou a «pouca relevância» das declarações do Presidente da República. Quanto à possibilidade de o formato televisivo poder ser explorado através de convidados em estúdio, por exemplo, os oradores disseram que «tudo é possível».

  O Governo Sombra, que «não faz promessas mas já ganhou hábitos governamentais», entra em antena às 19:15 horas de sexta-feira na TSF e às 23 horas de sábado na TVI24.

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