13 de janeiro de 2012


"Existe discriminação até na ILGA, porque nem os homossexuais têm o direito de apresentar a gala", brincou Ricardo Araújo Pereira no início da cerimónia dos Prémios Arco-Íris, que decorreram esta quarta-feira em Lisboa. O público presente no São Jorge soltou uma gargalhada e os momentos de boa disposição do humorista foram alimentando toda a cerimónia promovida pela ILGA Portugal. E até os inúmeros revezes técnicos suscitaram observações bem humoradas do Gato Fedorento.

Os Prémios Arco-Íris destacam exemplos positivos e merecedores de visibilidade, segundo a associação ILGA Portugal. No discurso de abertura, os temas que estão na ordem do dia foram salientados. Isabel Advirta, vice-presidente da ILGA Portugal, lembrou que em Portugal já existem as crianças em famílias do mesmo sexo e que urge agora dar-lhes segurança através da lei.

Numa sala que encheu quase "até às costuras", a primeira a subir ao palco foi Ana Zanatti pelo reconhecimento em tratar no seu livro "Teodorico e as Mães Cegonhas" a "parentalidade exercida por casais do mesmo sexo" e pela divulgação sistemática em programas de televisão e apresentações públicas. A escritora, parafraseou Albert Einstein, lembrando que há situações em que "é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito".

Os Clã subiram ao palco para cantar a música que lhes conferiu a homenagem. "Arco-Íris" foi considerada uma lição fundamental que ensina a amar sem vergonha e a desconstruir os estereótipos de género. A vocalista Manuela Azevedo citou a autora da letra, Regina Guimarães, alertando para o perigo das dores provocadas pela repressão da homossexualidade e bissexualidade.

O Gabinete para a Resolução Alternativa de Litígios (GRAL) do Ministério da Justiça, organismo entretanto extinto com a reforma da Administração Pública, foi distinguido pelo acompanhamento legal em casos de discriminação, relatados nomeadamente através da Linha LGBT, e pelas acções de formação anti-discriminação junto de profissionais do sector legal. Ninguém marcou presença por parte do ministério tutelado por Paula Teixeira da Cruz. Apesar de estes serem apenas os primeiros passos, os dirigentes da ILGA justificam a importância do prémio pelo envolvimento com a entidade pública.

"Obrigado por gostarem de mim como sou". A frase é de Luís Borges, o manequim que por compromissos profissionais não marcou presença na gala da ILGA Portugal. Foi exactamente devido ao discurso proferido noutra gala, os Globos de Ouro (SIC), que o jovem modelo deu visibilidade à causa LGBT. Luís Borges agradeceu em prime-time ao marido com quem se tinha casado recentemente e contribuiu com o seu exemplo pelo direito à indiferença, num discurso considerado "raro" em Portugal.

Repetente nestas andanças, Ana Marques, representou a equipa do "Querida Júlia", programa que por várias ocasiões abordou temas LGBT, desde as mães e pais que não hesitam em juntar-se aos filhos com a força do amor aos homens transexuais no ano em que a lei reconheceu o direito à identidade das pessoas transexuais. Ana Marques frisou que embora não percebam o porquê de alguns destes temas serem tabu, o programa da SIC tem arriscado vários day times com estas temáticas e vai continuar a fazê-lo.

O acompanhamento da aprovação e entrada em vigor da Lei de Identidade de Género conferiu ao jornalista do Jornal de Notícias, Nuno Miguel Ropio, o último galardão da noite.

A cerimónia contou com três momentos musicais, um a cargo dos premiados Clã, outro protagonizado pela banda The Gift (distinguidos em 2005) e o encerramento coube a Luna (The Gift), que interpretou "Driving you slow".

O presidente da ILGA Portugal congratulou-se por cada vez mais pessoas quererem celebrar os exemplos positivos na luta contra a descriminação das pessoas LGBT. "Nota-se cada vez mais entusiasmo para as lutas que se avizinham, nomeadamente as questões da parentalidade" rematou Paulo Côrte-Real.



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